Trabalho voluntário: como é cuidar de crianças na África do Sul?

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Imagem: You2Africa

Cuidar de crianças é provavelmente o tipo de trabalho voluntário que mais atrai viajantes. Justamente por saber disso, infelizmente pessoas nada comprometidas com a sociedade e apenas interessadas no lucro a qualquer preço aproveitam-se da intensa procura para inventar supostos orfanatos ou espaços de apoio infantil que, na verdade, servem apenas para arrancar dinheiro de estrangeiros dispostos a pagar verdadeiras fortunas para viver esse tipo de experiência.

Escolhi tratar deste assunto logo no começo do artigo porque um dos valores máximos aqui na Trip Voluntária é a nossa responsabilidade e a de nossos parceiros em relação às comunidades nas quais atuamos. Diante de tantos relatos que iam dos maus tratos propositais, para que meninos e meninas tivessem a aparência mais sofrida possível, à criação de ONGs de fachada que na verdade funcionam como colônias de férias para o turismo sexual de pedófilos, nada pode ser mais importante do que esse alerta inicial.

Vencida esta etapa, vamos ao trabalho em si.

Fui voluntário em um hospital infantil localizado na Cidade do Cabo, na África do Sul. Estive por lá entre novembro e dezembro de 2013, sendo essa minha primeira experiência internacional.

Apesar de ser chamado de hospital, o espaço era na verdade uma grande casa térrea, administrado por enfermeiras e que lembrava muito mais um orfanato. Havia, sim, crianças com doenças físicas e psicológicas graves, além da maioria ter o vírus HIV.

O trabalho dos voluntários não era complicado nem exigia formação específica na área da saúde. De segunda a sexta, das 9 às 16h, éramos responsáveis por trocar fraldas e roupas, dar de comer, levá-las ao banheiro, escovar seus dentes e entreter as pacientes mirins enquanto as enfermeiras cumpriam com suas obrigações e se dedicavam àqueles que mais precisavam de cuidados específicos.

No hospital havia duas grandes alas: uma para bebês e outra para as demais crianças, dos 3 aos 12 anos de idade, mais ou menos. Os voluntários de dividiam entre as duas alas.

Todas as manhãs, uma van passava em nosso hostel e nos levava ao hospital. Um dos momentos mais gratificantes, mas também mais difíceis, foi quando pude acompanhar uma das enfermeiras a um grande hospital das redondezas. Ela levava uma das meninas internadas para realizar exames.

Conforme o tempo passava, passei a me oferecer para realizar outras tarefas – aquelas que a maioria dos voluntários prefere não fazer, como trocar fraldas ou cuidar das crianças que exigem mais cuidados, por apresentarem deficiências mais graves.

As enfermeiras são atenciosas, sérias e responsáveis. Estão sempre dispostas a orientar os voluntários e sanar suas dúvidas.

Como último recado, é importante que o voluntário esteja preparado para lidar com alguns questionamentos internos que surgem ao longo do trabalho, como a sensação de que se está fazendo muito pouco perto do tanto que precisa ser feito ou dificuldade de se despedir, voltar para casa e à rotina.

Por conta disso, sempre oriento os voluntários para que encarem o voluntariado como um exercício de autoconhecimento e uma forma sustentável de viajar, tendo consciência desde o princípio que eles não serão super heróis salvando o planeta. O papel do voluntário é trocar experiências e se colocar à disposição do outro, para ajudar no que for preciso, quando e se o outro quiser, estando disposto a ouvir mais do que falar, deixando o protagonismo sempre para aqueles que vivem naquela comunidade em que se encontra.

Vale lembrar, por fim, que é hipocrisia ajudar crianças na África, mas ser uma pessoa ausente para a família e os amigos ou um profissional negligente ou antiético em sua carreira. Portanto, ao voltar para a casa, o voluntário precisa ser um indivíduo melhor e mais consciente do que quando partiu, e não alguém nostálgico e deprimido por não querer estar ali.

Gostou da ideia de ser voluntário na África trabalhando com crianças? Então acesse www.tripvoluntaria.com/projetos-na-africa ou escreva para tripvoluntaria@gmail.com!

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